da conversa com Túlio Tavares

Túlio Tavares é um artista-etc[1]. Artista-ativista na ocupação Prestes Maia, artista-produtor no Elefante Branco, artista-coordenador no ACMSTC (Arte Contemporânea no Movimento dos Sem Teto do Centro), artista-professor durante a conversa com o [lab]ratobranco, etc. Para ele qualquer lugar pode ser lugar para arte. Do espaço público ao espaço privado, o mundo cotidiano da metrópole é seu principal suporte. “O museu é o mundo”, diria Hélio Oiticica.

Pensando na força de um coletivo, da possibilidade de encontros ao fazer junto, Túlio já participou de alguns, entre eles Os Bigodistas, Elefante Branco e ACMSTC. Esse modo de trabalho dá forças àquilo que ele acredita ser a maior tarefa da arte: mudar o valor das coisas, dar visibilidade.

Em dezembro de 2003, junto de Fabiana Borges, Túlio idealizou e coordenou o ACMSTC, uma imersão de mais de 120 artistas no edifício Prestes Maia, localizado no centro da cidade de São Paulo, por quinze dias. O projeto contou com a presença de 13 coletivos. Os artistas realizaram trabalhos em colaboração com os ocupantes, promovendo uma grande interação entre os artistas e os integrantes do MSTC, transformando em arte viva a vida daquelas 350 famílias de sem-teto que tentavam viver no prédio abandonado sendo ameaçadas de despejo por decisão judicial.

No meio de uma das manifestações dos moradores eis que surge o Menossão – personagem performático de Túlio – vestido com uma fantasia de rato, uma espécie de Mickey tupiniquim, e o resultado da manifestação – que tomou grandes dimensões e visibilidade devido a participação dos coletivos e movimentos sociais – foi o cancelamento, na época,  da decisão judicial de reintegração de posse.

Túlio se organiza para debater e refletir sobre o mundo. Como disse Yoko Ono “criar não é tarefa do artista. Sua tarefa é a de mandar o valor das coisas’.

Giovanna Bragaglia

Para mais informações acesse: http://tuliotavares.wordpress.com


[1] Termo sugerido por Ricardo Basbaum no texto AMO OS ARTISTAS-ETC, originalmente em inglês, como parte do projeto The next Documenta should be curated by an artist e publicado em Políticas Institucionais, Práticas Curatoriais, Rodrigo Moura (Org.), Belo Horizonte, Museu de Arte da Pampulha, 2005.

Sobre labratobranco

a equipe [lab]ratobranco é composta por Ana Luiza Maccari, Camilla Loreta, Cida Katsurayama, Giovanna Bragaglia, Lizia M. Y. Barretto, Marina Mantoan, Paulo Peresin, Sonia Vaz, sob orientação de Cauê Alves.
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