entrevista com a Xiclet

A casa da Xiclet é uma galeria-casa. Coordenada pela dona e moradora, a própria Xiclet, o espaço conta com uma programação paralela, e repleta de humor, às instituições do circuito das artes. O [lab]ratobranco entrevistou a dona da casa para conhecer um pouco mais suas ideias e ideais. Confira a seguir.

[lab]ratobranco: Conte um pouco da história e dos desafios da casa da Xiclet.

Xiclet: A casa como galeria surgiu em 21 de setembro de 2001, com a I Mostra de Arte de Fabiana Arruda. Mas antes de ser galeria já havia arte, pois fazíamos intervenções no muro e na grade da casa antes de setembro, com faixas provocativas aos transeuntes, do tipo: “Ouve-se problemas por R$ 1,99 hora. O seu problema é nosso”, “Criamos Inimigos”, “Lê-se Horóscopo” e por ai foi até abrir a Casa como espaço expositivo.

[lab]rb: O que significa para você, no Brasil, ser independente? Quais são as dificuldades?

X.: Ser independente é ser livre, não ter rabo-preso com ninguém. Poder fazer o que quero, na hora que quero. Enfim, ser independente é ser LIVRE.

[lab]rb: Como você vê a casa da Xiclet dentro do circuito das artes?

X.: Pelo fato de a casa falar do e sobre o circuito das artes, acabamos sendo engolidos pelo mesmo circuito o tempo todo. É uma via de mão-dupla.

Não é underground, é playground. Não é Ponto de Cultura, é Ponto de Interrogação.”

[lab]rb: Fale um pouco das atividades realizadas pela casa da Xiclet.

X.: Hoje, após nove anos, a casa da Xiclet ocupa um lugar de enfrentamento frente ao circuito oficial da arte, e o usa deliberadamente como material de trabalho. Alguns exemplos são: Bienal  Eu Quero Ser Nelson Leirner (2002); Ela não é Milliet (2004) , 26ª Bienal de Cu é Rola (2004), Coletiva MoMA (2005 e 2009), Quero Ser Amiga da Lisette (2005); Prima Rica/ Fica Quietinha Preu Gostar De Vc/Shut The Hell Up (2005); I Bienal MerCUsul e Mostra El Cid (2005); Feliz Aniversário Nelson Leirner (2006); Feira Marginal – Seja Marginal, Seja Herói (2006); X-FILET – Festival Internacional da Linguagem Eletrônica Tutti-Frutti (2006 e 2008); 27ª Bienal da Casa da Xiclet – Como Viver Longe (2006), Sandra, Sinto Muito! (2007);  Diga Não às Doras! (2007);  Playground (2008);  Coletiva MAMi (2008), Bienal: Tô Cheia – Not Good Enough (2008), Rumos-Não-Rumos – Prumos – Curadoria da Não Curadoria (2009);  Eletrobrás – Outras Fontes de Energia (2009);  Emergênese – Momento Crítico e Fortuíto (2009);  Be AN’ALL = Seja AN’ALL (2009);  A Casa da Xiclet Não É Underground, É Playground! (2010);  Deu$ é Real (2010);  Bienal, My Ass.: Xiclet (2010) e Feira Ch.ACO 2010 – Feira Internacional de Arte Contemporânea no Chile – essa mostra recebeu o apoio do Programa Brasil Arte Contemporânea, da Fundação Bienal de São Paulo e do Ministério da Cultura.

Em parceria com o Mapa das Artes São Paulo realizamos as exposições  Olho sobre Tela, em 2007, e 1º Salão dos Artistas Sem Galeria, em 2010.

[lab]rb: Qual ou quais coletivos e/ou organizações te inspiraram?

X.: Na realidade nenhum coletivo me inspirou, mas sim a falta de coletivos foi o que me inspirou.

[lab]rb: Você reconhece outros coletivos/espaços com propostas semelhantes à sua?

X.: Muitos coletivos surgiram desde 2001, mas não vejo semelhança nos novos coletivos com a casa da Xiclet, pois nos coletivos por ai não há uma pessoa que mora no espaço, que organiza e trabalha 24 horas no espaço. Aqui há sim um espírito de coletividade muito forte, pois vem da comunhão entre amigos/artistas. Contudo, a responsabilidade pela casa da Xiclet é só minha, Xiclet. Assim a casa é e não é coletiva ao mesmo tempo, por isso não creio existirem outros projetos como o da Casa da Xiclet.

[lab]rb: Como você percebe a necessidade da criação de grupos de artistas?

X.: É muito clara a necessidade de novos grupos de artistas. Os artistas têm que, cada vez mais, se unirem para enfrentar as competições do circuito, que é hermético. Se não conseguem romper as barreiras, que descubram novos caminhos, e um destes caminhos é o coletivo, grupo de artistas que se reúnem e pensam o melhor para a Arte, artistas que buscam uma arte sem competição.

[lab]rb: Você vê a criação desses coletivos/espaços como uma tendência na produção artística brasileira?

X.: Não gosto de tendências. Acho que os bons coletivos vão permanecer além dela. Vejo muitos coletivos que começam e acabam rapidamente, isso talvez se dê pelas divergências entre as muitas pessoas de um coletivo e estas discussões desgastam e acabam por findar o grupo. Todo coletivo deve ter uma linha a ser seguida, mas parece que alguns se perdem no meio do caminho. Existem grupos que se juntam apenas para abocanharem apoio do governo, virar ONG, sei lá, e são justamente estes que perdem a linha e, com o tempo, acabam. Agora, coletivo que permanece firme em suas propostas até hoje é o coletivo bIJARI.

[lab]rb: Há algum tipo de apoio, patrocínio, parceria, subsídio? Se sim, quais? Ou com que recursos o espaço desenvolve suas ações?

X.: Não, a casa da Xiclet não tem nenhum tipo de apoio patrocínio, mas agora, em 2010, recebemos o apoio do “Programa Brasil Arte Contemporânea”, da Fundação Bienal de São Paulo e do Ministério da Cultura para irmos representar o Brasil na Feira Ch.ACO, no Chile.

Assim, a casa se mantém como prestadora de serviços. Cada artista paga pelos serviços de atendimento, divulgação, manutenção do espaço e da exposição.

[lab]rb: Como você definiria “ser experimental”?

X.: Ser experiente.

Serviço:

A Casa da Xiclet fica na Rua Fradique Coutinho, 1855 Vila Madalena – São Paulo, SP
abre…
Qua. a sex.: 14h/20h – Sab. e dom.: 14h/18h
para mais informações…
tel.: 55 (11) 2579-9007 ou e-mail: casadaxiclet@gmail.com

entrevista realizada por Giovanna Bragaglia

Sobre labratobranco

a equipe [lab]ratobranco é composta por Ana Luiza Maccari, Camilla Loreta, Cida Katsurayama, Giovanna Bragaglia, Lizia M. Y. Barretto, Marina Mantoan, Paulo Peresin, Sonia Vaz, sob orientação de Cauê Alves.
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