conversa entrecolchetes

Amanhã, dia 06 de outubro, haverá uma conversa com os curadores da exposição entrecolchetes para refletir sobre a experiência dessa que foi a nossa primeira curadoria. Participam da conversa os professores Cauê Alves, Sônia Régis e Fabio Cypriano, além de colegas do curso de Arte: História, Crítica e Curadoria. Todos que estiverem interessados em conversar com a gente serão muito bem-vindos!

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Jornal da Imagem

Saiu na edição de setembro do Jornal da Imagem* uma reportagem sobre a exposição entrecolchetes, que está em cartaz só até o dia 30 de setembro! Para visitá-la, basta agendar um horário pelo nosso e-mail lab.ratobranco@gmail.com. Venham!

Para conferir a edição na íntegrar, clique aqui (estamos na página 31)

*O Jornal da Imagem é uma publicação mensal da SPR (Sociedade Paulista de Radiologia e Diagnóstico po Imagem)

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apresentando: entrecolchetes

A exposição entrecolchetes é resultado de um trabalho interdisciplinar realizado pela turma do último ano do curso de graduação Arte: História, Crítica e Curadoria da PUC-SP.

A mostra convida o espectador a envolver-se em uma atmosfera incorpórea a partir das obras da exposição. Aproxima-se, assim, do conceito de incorporeidade desenvolvido por Anne Cauquelin no livro Frequentando os Incorporais (2008). Esta abordagem sugere uma experiência sensorial que, partindo do contato visual, vai além da materialidade das obras e desencadeia memórias e possibilidades de outras significações.

O conjunto de trabalhos da coleção de Oswaldo Corrêa da Costa, elencado pela curadoria, partiu de um acervo de mais de quatrocentas peças, a maior parte de arte contemporânea, e selecionou obras que apresentam características ativadoras de processos integrados de fruição e de reflexão.

O título entrecolchetes evoca a imagem de sua forma gráfica, convidando o espectador a completar, metaforicamente, o intervalo existente a partir de suas próprias experiências sensoriais.

A mostra está organizada em três módulos: Memórias, Vestígios e Ativações. Cada módulo, a partir de suas singularidades, convida o observador a recuperar lembranças de vivências específicas, percepções que muitas vezes não estão presentes na visualidade das obras.

São três caminhos que coexistem e se cruzam, permitindo que o espaço aparentemente delimitado pela distribuição física das obras, assuma uma corporeidade não visível, que se expõe, que se transporta e que se exprime em cada indivíduo.

entrecolchetes

curadoria de Ana Luiza Maccari, Camilla Loreta, Cida Katsurayama, Júlia Rocha,

Lizia M. Ymanaka Barretto, Marina Mantoan, Nina Knutson, Paulo Peresin e Sonia Vaz

Abertura: 11 de agosto, das 19h às 23h

Visitação: 12 de agosto a 30 de setembro de 2011 (visitas sob agendamento)

espaço Coleção Particular – Rua Artur de Azevedo, 51

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estão todos convidados

É totalmente oficial: dia 11 de agosto de 2011, quinta-feira próxima, abre a exposição entrecolchetes, com curadoria de Ana Luiza Maccari, Camilla Loreta, Cida Katsurayama, Júlia Rocha, Lizia M. Ymanaka Barretto, Marina Mantoan, Nina Knutson, Paulo Peresin e Sonia Vaz, no espaço Coleção Particular (Rua Artur de Azevedo, 51 – Pinheiros, São Paulo, SP). Nos vemos lá!

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exposição entrecolchetes

Atenção aos visitantes: em breve será inaugurada a exposição entrecolchetes, uma parceria entre os alunos do 7o semestre de Arte: História, Crítica e Curadoria da PUC-SP (alguns dos quais são membros do [lab]ratobranco) com o colecionador Oswaldo Corrêa da Costa e seu espaço Coleção Particular. Fiquem ligados para saber maiores detalhes sobre datas e horários. Cadastro para informações pelo lab.ratobranco@gmail.com

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entrevista com o Ateliê Aberto

O Ateliê Aberto Produções Contemporâneas é, como se define, “um organismo independente que vive da criação, formação, produção, difusão e investigação em arte, design e cultura contemporânea.” O Ateliê, localizado em Campinas, desenvolve diversos projetos e possui espaço expositivo, biblioteca e um centro de produção gráfica e audiovisual. O [lab]ratobranco entrevistou o Ateliê para conhecer um pouco mais suas ideias e projetos.

[lab]ratobranco: Conte um pouco da história e dos desafios do Ateliê.

Ateliê Aberto: O Ateliê Aberto, que este ano completou 12 anos, é um espaço referência na cidade de Campinas, reconhecido pela consistência de sua programação, seu compromisso com processos experimentais, idealização de projetos inovadores e trabalho de cooperação que estabelece com diversos atores, movimentando a cena cultural na cidade, envolvendo os artistas locais e trazendo artistas de outras cidades e estados do Brasil. Desde 2000, foram realizadas 44 exposições no espaço do Ateliê.  Participamos de cerca de 33 projetos externos, ora como idealizador e produtor, ora como coletivo de artistas. Envolvemos nos projetos internos e externos mais de 330 artistas.

Hoje, buscamos estabelecer-nos como organismo cultural independente e também como idealizador e produtor de projetos culturais externos, viabilizados inclusive através das Leis de Incentivo Fiscal. Em 2010, demos um passo importante ao abrir as portas de nossa sede própria, ampliando o espaço expositivo e biblioteca, criando uma nova área de convívio, um espaço garagem – multiuso (pensado para conversas abertas, exposições e residências artísticas), o cine-caverninha (sala de projeções), um agradável jardim e a fachada do espaço, que hospeda o projeto RUA [Ruídos Urbanos Amplificados].

Dentro desta busca, um dos principais objetivos é intensificar o uso do espaço e ampliar a circulação do público: incluir na programação projetos educativos, acolhendo artistas e os outros profissionais que desenvolvem cursos e/ou workshops; promover nossa biblioteca e seus títulos através de nosso site; desenvolver um programa de estágio trazendo para nosso espaço alunos da graduação dos cursos de Artes Visuais, Comunicação Social, Arquitetura e Administração (através de convênio já estabelecido entre o Ateliê Aberto e instituições de ensino superior), colocando-o em contato com o meio profissional, contribuindo para sua formação; viabilizar um programa de residências artísticas; entender os processos da autogestão; viabilizar processos sustentáveis em suas realizações.

É coordenado por Maira Endo e Samantha Moreira.

[lab]ratobranco: O que significa para você, no Brasil, ser independente? Quais são as dificuldades?

AA.: Ser independente significa, em última instância, ter autonomia sobre os projetos que idealiza e realiza. Ou seja, os projetos que idealizamos e realizamos em nosso espaço são de autoria da equipe de trabalho do Ateliê Aberto e viabilizados pelas sócias e também através de parcerias com outras instituições e empresas que não tem autonomia sobre o conteúdo e forma do projeto.

[lab]ratobranco: Como você vê o Ateliê Aberto dentro do circuito das artes?

AA.: O Ateliê Aberto é um espaço com vocação para acolher processos experimentais de criação, as manifestações artísticas da vanguarda, a arte tecnológica e interdisciplinar. Não tem o mesmo papel do museu, da galeria, do espaço dentro da universidade ou de um espaço cultural de um banco. Por ser justamente independente, torna-se mais orgânico, mais simples, mais natural, mais espontâneo, mais informal.

Tem hoje, papel fundamental no intercâmbio, produção e discussão de arte e cultura contemporânea em Campinas, se estendendo para o estado de São Paulo e Brasil – por desenvolver e realizar projetos tanto em sua sede, como em outros espaços e cidades.

Também gera serviços a partir dos projetos realizados dentro e fora do espaço

[lab]ratobranco: Fale um pouco das atividades realizadas pelo Ateliê Aberto.

AA.: O Ateliê Aberto realiza em seu espaço exposições, residências artísticas, workshops, orientação para artistas visuais, apresentações audiovisuais, pequenas mostras audiovisuais. A fachada do Ateliê abriga o Projeto RUA [ruídos urbanos amplificados]. Nossa biblioteca é especializada em criação contemporânea e é aberta ao público para pesquisa.

O Ateliê também idealiza e produz projetos externos, viabilizados através de convites, editais, patrocínios e leis de incentivo fiscal.

[lab]ratobranco: Qual ou quais coletivos e/ou organizações te inspiraram?

AA.: Torreão (POA) e o instinto Agora Capacete (RJ) – e na sua continuidade o Capacete (RJ). O início de A Gentil Carioca (RJ). Também instintos, Rés do Chão (RJ) e Alpendre (Fortaleza). Organizações como O Coro Coletivo e Canal Contemporâneo

[lab]ratobranco: Você reconhece outros coletivos/espaços com propostas semelhantes à sua?

AA.: Sim. O Ateliê 397 (SP), Branco do Olho (RE), Barracão Maravilha (RJ), Arquipélago (SC), Ateliê Subterrânea (RS), Casa da Xiclet (SP), GIA (BA), Casa Tomada (SP), Beco da Arte (SP).  O Ateliê 397 acaba de lançar uma publicação, chamada “Espaços Independentes”, que mapeia os espaços independentes no Brasil. Acredito que no próprio Ateliê 397 seja possível adquirir um volume.

Vale lembrar também que de todos os espaços mapeados nesta publicação, o Ateliê Aberto é o mais antigo.

[lab]ratobranco: Como você percebe a necessidade da criação de grupos de artistas?

AA.: Os artistas, como profissionais autônomos, vêm buscando soluções para a questão da gestão de seus “negócios”.  Muitos artistas parecem não conseguir enquadrar-se na solução convencional, a gestão por galeria ou agente cultural. Os grupos ou coletivos de artistas apontam para um caminho alternativo, onde forças se juntam em torno de objetivos semelhantes, simplificando os processos e protegendo os interesses do artista

[lab]ratobranco: Você vê a criação desses coletivos/espaços como uma tendência na produção artística brasileira?

AA.: Sim, o mapeamento e os depoimentos presentes na publicação “Espaços Independentes” comprova esta tendência e, acima de tudo, esta necessidade da classe artística.

[lab]ratobranco: Há algum tipo de apoio, patrocínio, parceria, subsídio? Se sim, quais? Ou  com que recursos o espaço desenvolve suas ações?

AA.: Hoje, a maioria das ações internas – sua programação – são geradas por subsídios do próprio espaço, como oficinas, workshops, serviços de expografia e montagem, produção etc. Existem parceiros permanentes, como a rede Vitória de hotéis que custeia a estadia dos artistas que participam de nossa agenda. Também alguns restaurantes e bares são parceiros. Nesse ano de 2010, iniciamos uma série de conversas com empresas a fim de estabelecermos termos de cooperação, ainda em estudo. Além disso, em projetos específicos tivemos parceiros como Aliança Francesa, Porto Seguro,  Centro Cultural Banco do Brasil, EPTV Campinas, entre outros.

[lab]ratobranco: Como você definiria “ser experimental”?

AA.: Antes de qualquer coisa, para ser experimental é preciso ter autonomia e uma programação com conteúdo. Não estar fechado para novas experiências, manifestações e tendências, assim como para ajustes e modificações que se percebam necessárias ou que simplesmente surjam no decorrer dos processos de criação, montagem e exibição. Buscar visões inovadoras para gestão privada e pública, ter parceiros e profissionais ligados aos projetos, em diferentes formatos e campos de ação.

O Ateliê Aberto fica na Rua Major Sólon, 911 – Cambuí – Campinas, SP.
para mais informações…
www.atelieaberto.art.br | www.flickr.com/photos/atelieaberto

contato:

55 (19) 3251-7937 | contato@atelieaberto.art.br

 

entrevista realizada por Paulo Peresin

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Walter Zanini e Hans Ulrich Obrist

Walter Zanini nasceu em 1925, na cidade de São Paulo. Ele se formou na Universidade de Paris VII em 1956 e em 1961 formou-se como doutor na mesma universidade. Conhecido por ter sido curador do MAC de São Paulo, de 1963 a 1978, e também das Bienais de 1981 e 1983.

Hans Ulrich Obrist nasceu na Suiça, Zurique, em 1968 e escreveu e seu livro Entrevistas foi publicado em 2009 no Brasil. Iniciou sua carreira como curador no final dos anos 80 e, segundo a apresentação de seu livro, já então tinha a vontade de: “utilizar as experiências dos artistas dos anos 1960 e 1970, que haviam ampliado o campo das artes plásticas para criar um campo expandido pelo qual a arte transitasse – um novo espaço de exposição, um novo espaço de troca, um novo processo de criação.” (p. 5) Portanto, para caminhar até Walter Zanini havia uma lógica conceitual de seu próprio trabalho. Zanini foi um exemplo na curadoria brasileira e internacional para criação de espaços com novas propostas.

A seguir uma conversa entre dois textos: Novo Comportamento do Museu de Arte Contemporânea escrito pelo próprio Zanini e a entrevista de Obrist com o curador.

A preocupação de Zanini com a função da instituição Museu é evidente. Sem surpresas, ele foi citado algumas vezes no primeiro Simpósio Outras Utopias[1], na fala de Glória Ferreira e Christine Melo, pois os temas que ele costumava abordar em sua época se estendem para os dias de hoje. Em seu texto: “O museu de arte moderna caracterizou-se de certo modo até a data recente como um órgão crítico/organizador de natureza retrospectiva.” (p. 59) O pensamento de um museu participante do ato da obra de arte começa a surgir, diferentemente da concepção de museu receptáculo, um museu com novos objetivos: “que se democratizasse através de uma abertura capaz de atender menos formalmente o artista e que ao mesmo tempo fosse mais dúctil em seus relacionamentos culturais com o público, sempre excessivamente dirigido e condicionado a uma política cultural.” (p. 60)

Zanini escreve que por conta das mudanças nos recursos de comunicação na década de 70 o museu sofre uma abertura maior, e começa a evidenciar a separação de obras de acervo e obras de novas mídias. “Origina-se uma modificação fundamental de sua conotação com o artista e o público, ativados em seu processo de participação dialética” (p. 60) E será nesse contexto dialético que as dificuldades de existência do museu irão se desenvolver.

Uma das experiências mais importantes de Zanini, a Jovem Arte Contemporânea, é relembrada nos dois textos. Primeiro no próprio texto de Zanini “Alterando o regulamento anterior ao transferir a ênfase colocada na obra para o processo e eliminando o princípio da seleção de candidatos, proposto aos participantes um programa de atividades que transformava o próprio museu em centro dessas atividades.” (p. 60-64) E a seguir na entrevista: “Era preciso ter em mente que era um museu universitário-situado no interior da Universidade de São Paulo – e artistas que também estavam dando aulas colaboravam em vários aspectos da atividade da nova instituição. A JAC foi apresentada como um fator de destaque nessa aproximação.” (p.60) Será uma de suas realizações mais importantes, e mais relembradas no contexto da arte, por ser uma atitude política, experimental em um meio institucionalizado.

A questão das instituições reaparece na entrevista quando se discute a respeito das bienais, onde Zanini expressa que a brasileira seguiu por muito tempo o modelo de Veneza, com regras mais estabelecidas, como categorias que dividiam salas por país. Com a ditadura o evento foi boicotado, inclusive internacionalmente. A recuperação política da Bienal, diz Zanini, apenas ocorreu nos anos 80. E Obrist lembra da Documenta-exposição que ocorre na Alemanha – que nunca aderiu a questão das representações nacionais. Zanini concorda, mas lembra que a Bienal sempre trabalhou com uma verba mínima perto da verba da Documenta, e relembra do MAC na Bienal, que sua direção foi contrária também a essa questão das representações.  “Criamos uma equipe de curadores, acabamos com os espaços compartimentados previamente destinados a cada país.” (p. 67)

Essa relação inovadora que Zanini estabelece com as instituições, procurando brechas e lutando para poder atuar de modo diferenciado e experimental denota a sua figura. Uma referência para a curadoria brasileira. Um episódio interessante, que exemplifica o quanto Zanini foi ativo em sua época é a história do artista de Jeff Golyscheff: “Era o ano de 1965. Ele veio ao museu – MAM- com a esposa e nos contou sua história de refugiado sob o governo do Hitler. Os nazistas tinham destruído inteiramente uma exposição dele em Berlim, em 1933. Ele então resolveu sumir do mundo artístico. Mais de trinta anos depois, completamente esquecido, ele quis voltar novamente.” (p. 56) Assim Zanini o recebe de braços abertos percebendo nessa situação algo de extrema importância, um nome importante do dadaísmo que parecia ter morrido a muito tempo atrás.

Camilla Loreta

OBRIST, Hans Ulrich. Walter Zanini. In: Entrevistas: vol. 1. Trad. Diogo Rodrigues… et al. Rio de Janeiro: Cobogó; Belo Horizonte: Inhotim, 2009. (também disponível em: OBRIST, Hans Ulrich. Uma breve história da curadoria. Trad. Ana Resende. São Paulo: BEĨ, 2010)

ZANINI, Walter. Novo comportamento do Museu de Arte Contemporânea. In: RAMOS, Alexandre Dias (org.). Sobre o ofício do curador. Porto Alegre: Zouk, 2010.


[1] Realizado pela Pontifícia Universidade Católica, no TUCA Arena em 22/10/2010.

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